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» Setor de serviços é o preferido entre os empreendedores
A maioria das empresas que nasceram em 2007 no Brasil concentrou suas atividades nos serviços prestados aos consumidores. O setor de serviços teve uma queda em 2006 e posterior recuperação em 2007 (54,1%). Esse dado foi constatado pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2007), estudo que mede as taxas do empreendedorismo mundial, divulgado, nesta quarta-feira (19), em São Paulo.
Dentro dos serviços prestados nessa categoria, a maioria está relacionada à comercialização de alimentos e roupas no varejo. Esse tipo de atividade cresceu 36% de 2006 a 2007. Outras atividades também contribuíram para o crescimento das atividades de serviços em 2007: bares e lanchonetes (56%) e tratamentos de estética e beleza (66%). A preferência por essas atividades se dá, na sua maioria, pela possibilidade do uso de ferramentas computacionais, que agilizam o processo e geram maior produtividade. Nesse mesmo período, outras atividades tiveram perdas consideráveis, como prestação de serviços de reparação de escritório e informática (59%).
Outro setor que cresceu em 2007 nos estados brasileiros foi o de transformação (29,7%), com exceção para: Rio de Janeiro, crescimento de apenas 2,1%, devido ao fraco desempenho das indústrias de borracha e plástico, perfumaria e produtos de limpeza e metalurgia básica; e Rio Grande do Sul, com 4,2%, em razão do baixo desempenho da indústria de máquinas e equipamentos, peças e acessórios e produtos de metais vinculados ao setor agrícola, além da indústria química. O comportamento dessas atividades no setor de transformação influencia o grau de atração por novos negócios.
A pesquisa GEM 2007 demonstra também que os empreendedores iniciais dentro desses setores empreendem mais por oportunidade do que por necessidade nos serviços orientados aos consumidores, 3,7% e 2,9%, respectivamente; setor de transformação, 2,1% e 1,5%; e serviços orientados às empresas 1,1% e 0,6%. A exceção foi o setor extrativista no qual a maior motivação foi por necessidade (0,2%) e 0,1%, por oportunidade.
O perfil dos empreendedores estabelecidos é similar ao dos iniciais, seja em 2007, seja no período de 2002 a 2007, uma vez que os negócios também estão concentrados nos serviços orientados aos consumidores (52,1%), seguidos pelo setor de transformação (29,5%).
Uma nova tendência foi identificada na GEM 2007. Trata-se do elevado crescimento em 2007 dos empreendimentos criados para o atendimento às empresas, o que pode significar um amadurecimento da atividade empreendedora no País, pois a relação comercial empresa-empresa tende a ser mais qualificada.
Geração de empregos
Em 2007, a maioria dos empreendedores iniciais não esperava criar empregos para os próximos cinco anos (4,5%). No caso daqueles mais otimistas, esperava-se gerar de uma a cinco oportunidades de trabalho (3,7%). Esses últimos estão associados a empreendimentos novos do setor de serviços orientados aos consumidores e que foram abertos por oportunidade (2%) contra 1,6% por necessidade.
No período de janeiro a maio de 2007, houve um incremento de 1,15% no número de pessoal ocupado em relação ao mesmo período em 2006. Os setores que mais contribuíram para esse crescimento foram de alimentos e bebidas (5,5%), produtos de metal (5,1%) e meios de transporte (4,3%). Esses dados reforçam que os setores de serviços são os mais promissores na geração de empregos, particularmente naquelas atividades relacionadas a alimentos e bebidas.
Mercado externo
As empresas que estão começando também não têm como foco inicial a sua inserção no mercado externo. Isso porque, a maioria dos empreendedores entrevistados (84,4%) não espera atuar no mercado internacional. Para 11,6% dos empreendedores, a previsão é ter no máximo 24% de consumidores estrangeiros. Os empreendimentos dispostos a entrar no mercado internacional são, em sua maioria, negócios nascentes iniciados por oportunidade.
Analisando-se as possibilidades de inserção dos empreendimentos brasileiros no comércio internacional, as principais razões que constituem entraves decorrem da própria natureza dos negócios abertos no País. Os resultados do GEM mostram que é marcante a característica pouco inovadora dos novos negócios, não excluindo também desse quadro as empresas já estabelecidas.
O estudo demonstrou que a maioria dos empreendimentos abertos no País provém do setor de serviços, particularmente aqueles centrados no comércio varejista de roupas e alimentos, cujo foco central é o mercado nacional. Nesse caso, uma das principais razões de ausência do perfil exportador é a própria natureza das atividades que são abertas.
De acordo com dados do World Economic Outlook Database 2007, em termos de competitividade da Balança Comercial Brasileira, o volume de produtos e serviços comercializados no mercado internacional (14,7%) é relativamente baixo se comparado a um grupo de países selecionados para análise (mínima de 25% e máxima de 71,4%).
No percentual dos produtos de tecnologia sobre o total dos produtos manufaturados que são exportados, também se percebe a pequena participação brasileira (12,8%), superior apenas a da Rússia (8,1) e a do Peru (2,6%) e similar a da Austrália (12,8%). No entanto, apesar da pequena participação percentual das exportações sobre o PIB, o saldo vem aumentando nos últimos anos, tendo alcançado no primeiro semestre deste ano o mais alto valor da série histórica em análise: US$ 20,6 bilhões.
Acesso a crédito
Nesta edição do GEM reafirmou-se a constatação já identificada em anos anteriores de que o empreendedorismo brasileiro se faz, fundamentalmente, a partir de recursos próprios dos empreendedores, o chamado autofinanciamento, com apoio substancial dos parentes. Os montantes utilizados para abertura dos negócios em geral são muito baixos. Dos empreendedores em estágio inicial, 55% afirmaram ser menor que R$ 2 mil a quantia necessária para abertura do seu negócio, e um terço destes afirma não necessitar de recurso algum para iniciar o empreendimento.
Esta visão justifica a concepção simplória dos negócios e a dificuldade do empreendedor em valorizar os recursos necessários à operação da atividade e, principalmente, as linhas de crédito disponíveis. Prova disso é que, para a composição do montante total dos recursos necessários para empreender, a principal fonte buscada por 62% dos empreendedores reside em algum familiar próximo, como cônjuges, pais, avós, irmãos. Esse valor é ainda mais alto nas empresas estabelecidas (70%). Linhas de crédito bancário específicas para novos empreendimentos são citadas por menos de 10% dos empreendedores (dos empreendedores que mencionam a instituição bancária, 100% mencionam o Banco do Brasil).
Quando são consideradas as fontes de recursos provenientes do próprio empreendedor para iniciar o negócio, destaca-se o item poupança pessoal (57%). Fontes de recursos associadas a uma situação de rompimento de contratos formais de trabalho, como "acertos rescisórios", "planos de demissão voluntária", "recursos do FGTS", são mencionados por aproximadamente 11%, 3% e 4% dos empreendedores, respectivamente.
Livro Gem 2007
http://www.sebrae.com.br/customizado/estudos-e-pesquisas/estudos-e-
pesquisas/empreendedorismo-no-brasil-pesquisa-gem/livro_gem_2007.pdf
Resumo Gem 2007
http://www.sebrae.com.br/customizado/estudos-e-pesquisas/estudos-e-
pesquisas/empreendedorismo-no-brasil-pesquisa-gem/resumo_gem_2007.pdf




